Fortemente motivado pela projeção da sua terra – Vila Nova de Gaia –, Agostinho Santos, artista desde sempre engajado em causas sociais e culturais, desenvolveu o conceito de um museu de causas no âmbito da sua tese de doutoramento. Não é, assim, de estranhar que num ato de generosidade tenha oferecido a Gaia a possibilidade de acolher um grande projeto nacional, com enorme potencial de internacionalização, que associa e reforça a Agenda de Desenvolvimento Sustentável do município, fortemente marcada pelos mesmos valores e causas que sustentam o seu projeto de museu.

A arte sempre esteve ligada à denúncia das injustiças e na linha da frente do progresso social. As artes plásticas, em particular, têm contribuído para manter vivo, na nossa consciência, o registo da barbárie e de injustiças que nos desafiam enquanto humanidade. Basta recordar os bombardeamentos brutais de Guernica, durante a Guerra Civil de Espanha, e a memória perpetuada por Picasso para percebermos a importância que as artes plásticas têm na preservação da reminiscência dos nossos piores momentos coletivos, criando um alerta sobre a necessidade de nos mantermos unidos e solidários na causa da paz.

Goya, nos fuzilamentos, Paula Rego, no retrato das violências domésticas e quotidianas, Alberto Carneiro, na sua defesa da natureza, Teixeira Lopes, com a sua evocação da tragédia da Ponte das Barcas, são apenas mais alguns exemplos de tantos que nos permitem constatar a preocupação dos artistas com a defesa dos direitos humanos e com a denúncia das injustiças do mundo. Muitos acabam perseguidos por essa denúncia; censurados, proibidos, presos e, até, assassinados.

Não estamos, por isso, perante um projeto qualquer. Estamos, sim, perante uma iniciativa que envolve já, através das coleções pessoais de Agostinho Santos, centenas de artistas e que, estou certo, trará à causa do Museu de Causas muitos artistas de todo o mundo. É um desafio para o município de Vila Nova de Gaia poder acolher um projeto tão grandioso e que requererá, necessariamente, o apoio de instituições e de mecenas de todo o País.
Orgulha-nos que Gaia possa ser uma capital de causas. Mas orgulha-nos mais que a partir de Gaia Portugal seja um país de causas e que da generosidade de Agostinho Santos nasça um projeto que honre todos aqueles que lutam diariamente por um mundo mais justo. Este é um desígnio em que estamos e continuaremos a estar empenhados.

Eduardo Vítor Rodrigues
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia

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