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Evoca-se, por estes dias, um quarto de século sobre a classificação pela UNESCO do Centro Histórico do Porto, da ponte Luiz I e da Serra do Pilar, em Gaia, como Património Mundial da Humanidade.

Esta classificação foi o motor de muita valorização territorial, afirmação internacional e interesse turístico para as cidades e para a região. Foi também o mote para o reforço das intervenções urbanísticas de reabilitação e até de refuncionalização do construído.

Uma classificação deste género tende a gerar, ao fim de tantos anos, uma discussão sobre a evolução do território e da intervenção. São muitos os hipercríticos, convictos das virtualidades do congelamento dos espaços e das pessoas, apenas imaginando a reabilitação como mimética cópia do pré-existente. Para esses, é fácil dizer que as coisas tiveram desvios, que houve desvios concetuais em algumas intervenções, que houve desadequações, sobretudo se ocorreu alguma mudança. Mal feita a comparação, quem acompanhou o debate sobre a construção das pirâmides do Louvre percebeu que, afinal, estas coisas têm pouco de ciência exata…

Não temo dizer que, apesar de todas as questões que possam ser discutidas, a classificação foi um instrumento de valorização do espaço urbano, de capitalização das cidades, de reconhecimento das nossas gentes e de homenagem ao património.

Julgo que não vale a pena olhar para o balanço retrospetivo, antes ficando na análise prospetiva. De facto, assim se evita a questão que continua por responder: como foi possível classificar um espaço desta importância sem a inclusão das caves de vinho do Porto, elemento único e de excelência na História da região e do país? Já ouvi várias explicações, umas mais políticas, outras mais técnicas. Nenhuma, no entanto, consegue explicar a falta de racionalidade desta decisão. Por isso, ignore-se esta discussão e pense-se no que importa ainda fazer.

Os próximos anos deverão passar por manter a atenção na qualidade dos espaços classificados, reforçando as suas enormes potencialidades como marcas das cidades e da região. Mas o futuro deve ser, igualmente o momento de corrigir uma inexplicável exclusão, incluindo no espaço classificado as caves do vinho do Porto, elemento patrimonial inigualável e verdadeiramente único no mundo. Não é claro se isso se fará num processo de candidatura próprio, ou numa extensão da classificação atual, nem isso interessa.

Assim, será possível conceber a verdadeira especificidade do território e do património, quer em termos culturais, sociais, económicos ou outros. Não existe nenhuma explicação justa para que tal não tenha acontecido há 25 anos. Esperemos que o tempo tenha permitido criar as condições para este aperfeiçoamento, que beneficia o Porto e Gaia, mas também a região e o país. Ninguém fica isento de responsabilidades se continuarmos a ter como Património Mundial da Humanidade um sítio belo e único, mas que exclui um património singular e extraordinário, cheio de História, vida e significado, como as caves onde envelhece o famoso néctar, ao ritmo dos tempos da natureza e indiferente aos equívocos dos processos históricos.

Presidente da CM Gaia / Área Metropolitana do Porto

Eduardo Rodrigues

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