Tempos de crise, pelo menos em Portugal, costumam representar épocas de desinvestimento na Cultura. Este é um lamento transversal aos agentes culturais que verificamos ciclicamente, quando a economia atravessa períodos menos positivos. Não faz sentido, porém, que uma das áreas mais cruciais para o desenvolvimento da nossa sociedade e do seu sentido crítico seja tantas vezes posta de parte.

Quando assumi a presidência da Câmara de Gaia, as contas eram tudo menos risonhas. Mas assegurei-me de que conseguiria equilibrá-las sem deixar a Cultura no esquecimento. Pelo contrário. Não só continuámos a apoiar iniciativas existentes promovidas por instituições locais, como também apostámos em colocar Gaia no mapa dos grandes eventos culturais, criando, por exemplo, a sua Bienal de Arte, que viveu já duas edições. Ou aproveitando a fundamental parceria com Porto e Matosinhos para lançar excelentes eventos, como o festival Dias da Dança (DDD) ou o Open House.

Em 2018, com as finanças da autarquia equilibradas, só podemos melhorar. Gaia está a viver um ano repleto de iniciativas culturais que fazem com que, cada vez mais, seja procurada por quem exige ‘conteúdo’ nos seus roteiros de férias e de fim de semana.

Em ano de Onda Bienal – que ocorre nos anos de intervalo da Bienal –, temos neste momento, por exemplo, uma exposição de desenhos de Siza Vieira na Casa-Museu Teixeira Lopes e já acolhemos uma mostra retrospetiva da obra de Cruzeiro Seixas.

No âmbito do município, temos um conjunto de iniciativas focadas na obra de Rentes de Carvalho, que é este ano o homenageado do nosso «Rosto das Letras». E vimos, em pleno 25 de Abril, os primeiros passos de um grande projeto, o Museu de Causas, que trará a Gaia muitos artistas de todo o mundo. E assim se faz uma sociedade melhor!

Eduardo Vítor Rodrigues
Presidente da Câmara Municipal de Gaia

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