A vitória de um país ou de uma cidade só acontece quando todos ganham. Não há vitórias de uma classe em detrimento de outra, de um grupo contra outro.

O nosso país será sempre mais forte e sustentável quanto mais encararmos as nossas vitórias coletivamente, ganhando todos. Quando há crise económica, todos são adequadamente apoiados, quando vivemos tempos de crescimento, todos crescem. Quando há acréscimo de tributação fiscal, todos pagam em função das suas posses, quando há pressão fiscal, todos devem beneficiar proporcionalmente do alívio nas suas bolsas.

Isto aplica-se à política económica, fiscal e social. Só assim se constrói a sustentabilidade. E aplica-se à capacidade de definir estratégias de desenvolvimento a médio prazo, políticas estruturadas para o desenvolvimento sustentável, nas quais todos participam em função das suas especificidades e ninguém fica para trás. A gula fiscal e o olhar desqualificado sobre os impostos só conduzem à pressão sobre as classes médias, deixando os mais desfavorecidos mais ou menos protegidos (nem sempre…) e deixando os mais possidentes “protegidos” pelo planeamento fiscal (quase sempre…).

É no contexto deste debate que se encerra a presidência portuguesa da União Europeia. Um momento alto da nossa política e da nossa diplomacia. Demos um sinal de grande capacidade de perspetivar a Europa, os seus desafios, concretizando instrumentos decisivos para o nosso futuro coletivo. Uma presidência atípica, com a Europa mergulhada numa pandemia, com problemas novos e desafios complexos. Mas, ainda assim, uma presidência que assumiu desafios extraordinários, enfrentou-os com capacidade de concertação e de inovação, colocando Portugal no centro das grandes decisões. O Plano de Recuperação e Resiliência parece ser o mais evidente instrumento de desenvolvimento concretizado, mas a presidência portuguesa foi muito mais do que isso, deixando mais uma marca, por exemplo, na nova geração de políticas sociais europeias, na gestão integrada do processo de vacinação e na cooperação internacional.

António Costa destacou-se como líder de uma visão desenvolvimentista, atento às questões decisivas do clima, do envelhecimento, da inovação, entre outros. Liderou uma presidência portuguesa que reabriu novos mundos à Europa, nomeadamente nas relações com a Índia e com África. A presidência portuguesa, como sempre, colocou o país à prova. E, ainda que faltem alguns dias para o fim desta presidência e a sua passagem para a Eslovénia, podemos dizer claramente que já ganhamos, o país ganhou como um todo, com novos instrumentos de desenvolvimento e com a demonstração da nossa capacidade de liderança das grandes causas europeias e mundiais.

Presidente da Câmara de Gaia e da Área Metropolitana do Porto

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