Quando alguém desaparece do convívio humano, o mais normal é que seja esquecido, com a exceção dos seus familiares e amigos, que, naturalmente, o recordam para sempre. No entanto, alguns perduram na memória dos homens, ficando com um lugar na História. São os que o nosso maior poeta designou como “aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando”.

António Arnaut, agora desaparecido, é um desses homens. E a sua maior obra foi a criação do Serviço Nacional da Saúde (SNS), em 1979, que visava garantir o direito à saúde pública universal e gratuita. O SNS é, indubitavelmente, uma das reformas mais belas e significativas do pós-25 de Abril de 1974.

Foi e é um exemplo superior do que deve ser um político. Sempre que o Serviço Nacional de Saúde foi ameaçado, como aconteceu no tempo do anterior governo, logo levantava a sua voz em defesa dos interesses de todos os Portugueses. Defendeu princípios e valores, como a liberdade, a igualdade e fraternidade. Ainda jovem, combateu a ditadura. Foi fundador, dirigente e presidente do Partido Socialista. A sua forma de ser, digna e frontal, permitiu que fosse admirado por todos os democratas.

Arnaut foi advogado, escritor e poeta. Como alguém disse, o seu mais belo poema foi o Serviço Nacional de Saúde. Aqui fica uma expressão do seu pensamento: “Não me conformo com as pequenas injustiças. Aceito as grandes porque são inevitáveis, como as catástrofes, e atestam a impotência dos deuses. Aquela criança descalça apenas precisava de uns sapatos. Se tivesses nascido descalça, não era tão grande a minha revolta”.

António Arnaut partiu, mas o legado que deixa honra Portugal e os valores da democracia e liberta-a da lei da morte ou do esquecimento.

Eduardo Vítor Rodrigues
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia

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