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As pessoas deram maioria absoluta a António Costa, contrariando as profecias mediatizadas. Na última semana, ouvimos uns coristas envelhecidos a proclamar o cheiro a poder. Por efeito das zaragatoas, confundiram o cheiro do poder pelo odor do podre. A gula pelo poder é o resquício de modelos ultrapassados, aos quais as pessoas responderam nas urnas.

Sabe-se das conversas em surdina daqueles que anteviam a derrota como a sua oportunidade. São aritméticas perversas, a soma das esquerdas com a derrota do PS, esses cálculos mesquinhos de quem se alimenta de taticismos e de conspirações, em vez de lutar pelas ideias, pelas pessoas e pelo país.

Aguarda-se que a bateria quase monocolor de tifosi disfarçados de isentos comentadores políticos (ou especialistas!) possa explicar as suas contradições. As sondagens mostraram debilidades, sobretudo por questões técnicas que urge aprimorar. Já os erros dos seletos (ou seletivos!) comentadores decorrem de uma agenda política que melhor seria não esconder. Foram desejos disfarçados de análises, paixões disfarçadas de intelecto isento. A opinião é legítima, qualquer que seja, o disfarce instrumental é que nem por isso.

É óbvia a conveniência da explicação assente no voto útil. É a forma de desvalorizar a vitória e de justificar as derrotas. Oportuna, portanto. Só que o voto útil é uma ação que visa impedir a vitória de uma ala, uma espécie de agregação de tendências para impedir uma solução. Apesar de haver algum desse fenómeno, mais do que voto útil, houve voto motivado e de reconhecimento. As pessoas reconheceram a António Costa o trabalho desenvolvido no pós-troika, a força da sua intervenção na pandemia, a resposta europeia que liderou. Reconheceram que o país não pode ser governado na chantagem radical, de um lado, nem na intolerância matizada, do outro. Reconheceram que as esquerdas tinham poucas condições para se agruparem depois do Orçamento chumbado e de uma campanha radical (sobretudo do BE), mas também que a Direita não inspirava futuro.

Não foi, por isso, voto útil. Foi ativa rejeição de lideranças e de soluções propostas e foi o reconhecimento motivado nas virtualidades das soluções de equilíbrio e de estabilidade propostas por António Costa, com a exigência de fazer sempre mais e melhor.

António Costa tem o desafio de não defraudar expectativas, de reforçar a confiança das pessoas, de promover as reformas e o crescimento sustentável. É o que acontecerá, para Portugal continuar a avançar.

Presidente da Câmara Municipal de Gaia / Área Metropolitana do Porto

Eduardo Rodrigues

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