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A TAP voltou a ser notícia na Região Norte por várias razões, todas elas negativas. A pior de todas foi, para lá do financiamento necessário, a reafirmação da desvalorização do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, mantendo insuficiência de rotas para a dinâmica económica da região.

Isto já era difícil de entender com a companhia privatizada. Agora reforçam-se as razões de exigência. Sim, de exigência, não de desistência. A TAP é portuguesa, paga por todos nós. Se querem trazer uma alternativa, prescindindo da TAP, descontem nos impostos das pessoas do Norte o contributo para a TAP (pelas minhas contas, serão 100 euros por habitante, só em 2022). A estratégia da TAP é criticável há muitos anos, mas criticar e tentar contribuir para melhorar não é abdicar da TAP em nome de uma qualquer companhia estrangeira.

Não podemos deixar de lutar, de criticar, de mostrar melhores caminhos. Mas isso não implica que, de cada vez que critiquemos, por exemplo, a CCDR-N, queiramos passar para a Xunta de Galicia.

Não criticamos para estender a passadeira a ninguém, mesmo que isso atraia valorizações para eventuais compras. Criticamos porque somos portugueses e queremos o melhor para Portugal, por isso, também para o Norte.

Até pode ser diferente, mas sempre se imaginará que o Porto não seja prioridade na velha competição com os aeroportos da Galiza, sendo um parceiro espanhol a decidir em ambos os tabuleiros.

Queremos muitas companhias a operar no aeroporto. Queremos as low-cost, as grandes companhias internacionais, como a Iberia, a Turkish, a Qatar, a Lufthansa e tantas outras. No entanto, nenhuma vem para substituir a nossa empresa de bandeira, da qual não devemos prescindir. Virão para complementar, adicionar, serão bem-vindos, mas não para prescindir da TAP ou sublimar os seus erros de gestão.

Não abdicamos da TAP, abdicamos dos erros de gestão da TAP e dos seus responsáveis.

Vale a pena, um destes dias, também fazer o balanço de tudo o resto. Dos investimentos turísticos em eventos internacionais, da distribuição das verbas por região turística, por exemplo. Sei que Vila Real não conseguiu as mesmas proezas financeiras de eventos a sul, financiados a peso de ouro, garantidamente com um enorme efeito spillover no resto do país… Como Gaia e o Porto não conseguiram valores dignos para o Red Bull Air Race ou para a Motonáutica. Mas isso não me leva a querer ser parte do Turismo de Espanha, apenas me leva a pedir explicações para as opções e a exigir tratamento igual.

Talvez a TAP possa invocar, em contraponto, que o aeroporto Francisco Sá Carneiro não é suficientemente atrativo por falta de uma estratégia de investimentos em eventos internacionais, cuja lacuna tem sido assumida basicamente pelos municípios e pelas empresas da região. Sim a visitas a feiras e eventos lá fora, mas também sim a mais feiras e eventos cá dentro, para podermos ter todas as companhias aéreas, mas nunca deixarmos de ter a nossa TAP.

Ao invés de pensar que, se a TAP não gosta da região, a região também não gosta da TAP, preferirei que, se a gestão da TAP não gosta da região, mude-se a gestão da TAP para gente de bom gosto e tão competente como a gestão da Iberia. E isso aplica-se à TAP, como a tudo o resto que penalize o Norte.

Presidente da CM de Gaia e da Área Metropolitana do Porto

Eduardo Rodrigues

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