Oito anos de trabalho, um “modo de ser e de estar” que já foi posto à prova e que voltará a submeter-se ao escrutínio dos gaienses no próximo dia 26 de setembro. Eduardo Vítor Rodrigues apresentou publicamente a sua candidatura ao terceiro e último mandato como presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia a 19 de julho, no Parque da Lavandeira.

Depois de recordar o trabalho desenvolvido nos últimos anos, destacou que “do balanço é feito o nosso passado, mas é feito, sobretudo, o nosso futuro”. “Porque nós não estamos disponíveis para pedir um cheque em branco ao fim de oito anos. Só estamos disponíveis para dizer aos cidadãos: ‘Foi tudo isto que fizemos’. E se fomos capazes de fazer tudo isto em momentos tão difíceis como o da pré-falência da câmara ou como o da pandemia, o que não seremos capazes de fazer, todos juntos, nos próximos quatro anos, quando se perspetiva o processo de reconstrução do nosso próprio país”, antecipou.

Reconhecendo que “os próximos anos serão dificílimos”, embora “cheios de esperança”, Eduardo Vítor Rodrigues salientou que os próximos tempos serão, também, “propícios a grandes inovações ambientais, económicas e sociais”, em que a seriedade na governação e uma governação “para todos” serão determinantes. “Daqui em diante teremos de ser suficientemente ambiciosos, mas ao mesmo tempo tranquilos, para poder combinar a ambição com a sustentabilidade, os grandes desígnios com a capacidade de manter Gaia com as contas no verde”, defendeu.

O autarca deixou claro que pretende cumprir o próximo mandato não por ser o último, mas por corresponder ao encerramento de um ciclo que espera ser “produtivo” para Vila Nova de Gaia. “Não se trata de cumprir o tempo que a lei prevê. Trata-se de reconhecer que os problemas eram tantos e de tal magnitude que os 12 anos são absolutamente imprescindíveis”, explicou, assegurando que não mudará a sua “forma de ser e de estar” e que tentará “não deixar heranças”, mas sim “o legado de um concelho que se respeita a si próprio e é respeitado pelos outros”.

Os desafios até 2025 passam por concentrar esforços “para conseguirmos apanhar tudo o que pudermos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), do overbooking ou do novo Quadro Comunitário que temos pela frente”. Mas, também, por “não abdicar de ter as contas em dia, e assumir com dignidade o processo de descentralização, no pressuposto de fazermos mais e melhor do que aquilo que era feito pelo poder central”. E, ainda, por uma das grandes prioridades – assegurar financiamento do PRR para uma nova, que será a única, unidade de cuidados continuados, a construir no local de onde sairá a Unidade 2 do Hospital de Gaia, que passará a ser integrada na Unidade 1 na última fase da obra em curso.

A estas prioridades, somam-se outros objetivos que o candidato elencou:

  • criar um polo de inovação e de start-ups no centro da cidade;
  • generalizar a todos os centros de saúde o serviço de Saúde Oral já existente em três;
  • construir o Centro Municipal da Juventude;
  • construir o centro de congressos e o multiusos como polos da região e do país;
  • melhorar o transporte público, nas suas múltiplas variantes;
  • assumir a necessidade de recolha do lixo porta a porta e a reciclagem com contrapartidas, bem como um novo desígnio da recolha dos bioresíduos;
  • assumir a construção da rede de parques temáticos, diversificando polos de atratividade um pouco por todo o concelho;
  • reforçar as políticas sociais, com a adesão imediata à descentralização na área da ação social e o atendimento de proximidade articulado com as JF e com as IPSS;
  • abrir ou reabrir todas as ribeiras que foram entubadas;
  • implementar um sistema inteligente de ciclovias, assumindo-as como parte de uma estratégia inteligente e sustentável de mobilidade urbana.

Ficou, também, uma palavra de ordem: “continuar”. “Sim, continuar. Porque não somos feitos apenas da novidade, não temos de ter a sofreguidão e a ganância de quem quer sempre tudo novo”. Para Eduardo Vítor Rodrigues, é crucial “ter a inteligência de articular o que queremos de novo com o nosso hospital, que ainda não está concluído, com as nossas escolas, que precisam todos os dias de nós, com os nossos espaços públicos, que têm de ser melhorados diariamente, com os transportes e a habitação, mas ao mesmo tempo com a imagem de uma gestão de rigor”.

Antes de lançar o futuro, o candidato deixou um balanço da ação do executivo. “Nós valemos por aquilo que dizemos, mas valemos, em primeiro lugar, por aquilo que fazemos”, justificou, antes de recordar que foi possível a maior redução de passivo municipal, nos últimos oito anos em Portugal, passando de cerca de 300 para 94 milhões de euros. Uma diminuição acompanhada por uma descida da carga fiscal – com o IMI, por exemplo, a baixar cinco vezes – e, também, pela criação de medidas inovadoras ou que, simplesmente, “faziam falta” no concelho.

Neste contexto, lembrou as políticas sociais, em articulação com os municípios vizinhos ou com a rede social de Gaia, com medidas cruciais como o Programa Municipal de Apoio ao Arrendamento ou Gaia Cuidador. A Educação, com o Gaia Aprende+ ou o Gaia Aprende+(i); as parcerias com o Governo, assumindo a componente nacional em obras como o Hospital de Gaia, a requalificação das escolas EB2,3 ou a remoção do amianto nos estabelecimentos escolares. “Coisas que eram óbvias, mas que ainda não tinham sido feitas”, sublinhou, lembrando ainda a conquista do Passe Único metropolitano, outras medidas para melhorar a mobilidade – a expansão, em curso, da Linha Amarela, a segunda linha de metro para Gaia ou a ponte D. António Francisco dos Santos – ou o apoio à economia, com incentivos fiscais às empresas para estimular a atratividade económica do concelho. “Podemos e devemos ser competitivos”, defendeu, afirmando: “O nosso caminho são as pessoas, a economia sustentável, a ideia de que os recursos não são ilimitados, de que o ecossistema não tem recursos para a ganância com que tantas vezes tratamos o nosso cantinho”.

O caminho, por isso, tem-se feito pelos trilhos de um sistema de economia sustentável, “assente não na sofreguidão, mas na valorização; não na acumulação, mas na resposta às necessidades; não em deixar heranças, mas no legado que podemos deixar como património. Cuidando do que é de todos, do que é da nossa cidade, do que os nossos antepassados nos deixaram, mas tendo a vontade de deixar um legado aos gaienses vindouros”.

Dos últimos oito anos, Eduardo Vítor Rodrigues fez ainda questão de destacar a reabilitação das escolas; o investimento nas forças de segurança e proteção civil; o segundo maior contrato de Portugal para rendas acessíveis, com 145 milhões de euros, ou a reabilitação dos bairros sociais, na área da habitação; a construção, requalificação ou conclusão de centros cívicos, auditórios, equipamentos desportivos, parques verdes; a reabilitação da rede viária e da orla fluvial. E o determinante apoio do Município à população e às coletividades no contexto da pandemia. “Só não vê quem não quer ver”, criticou, sublinhando que “estes são anos para governar com seriedade”.

Eduardo Vítor Rodrigues está seguro de que que governou “para todos” – “para os mais desfavorecidos, para as classes médias, para uma câmara com boa imagem lá fora, para uma câmara que ofereça orgulho de cidade aos cidadãos”. Por isso, assumiu a “ousadia de querer que todos se revejam nesta candidatura”. “Gaia é uma cidade com muita gente, com muitos problemas para resolver, mas seguramente com a certeza de que seremos mais capazes de os resolver do que quaisquer outros”, declarou, terminando com o apelo ao envolvimento de todos no trabalho dos próximos meses, para que a 26 de setembro volte a ser escolhido para liderar os destinos de Gaia. “Uma cidade que merece ser gerida com rigor e com a participação de todos”.